quinta-feira, 31 de março de 2011

Conheça Ganesha!!

Ganesha

Ganesha é o primeiro Deus a ser reverenciado em todos os rituais Hindus. Está nas portas dos templos e casas protegendo as suas entradas. Ganesha é o Deus que remove todos os obstáculos, ele é o protetor de todos os seres. Ele também é o Deus do conhecimento. Ganesha representa o sábio, o homem em plenitude, e os meios de realização. Sua figura revela um significado profundo e necessita ser desdobrada.
Sobre sua origem
Ganesha é filho de Shiva e Parvati. Shiva é o Deus criador do Yoga, vivia nas montanhas dos Himalayas e raramente visitava sua esposa Parvati. Shiva e Parvati abraçados são a representação do Tantra. Os Puranas dizem que a relação sexual durava milênios mas Shiva não ejaculava, tinha completo domínio (Vama Tantra), assim Shiva não tinha filhos. Parvati gostava de se preparar para receber Shiva, mas todos os guardiões falhavam quando se tratava de Shiva, assim Parvati resolveu ter o seu próprio filho e guardião; retirou de si o material e deu vida a criança, Ganesha aprendeu a lutar bravamente e se tornou o guardião de seus aposentos. Um dia Shiva chegou e quis entrar, Ganesha bloqueou sua entrada. Shiva não aceitou de ser impedido de entrar e ordenou que seus guardas lutassem, Ganesha venceu todo o seu exército então Shiva lutou até decaptar Ganesha. Parvati chorou muito e reinvidicou que Shiva devolvesse a vida a seu filho , Shiva disse que ele não podia ser seu filho, realmente ele era somente filho de Parvati - a matéria mortal, assim Shiva ordenou que seu exército fossem para o norte e que trouxessem a primeira cabeça de um ser vivo que encontrassem; encontraram um elefante. Shiva colocou a cabeça de elefante sobre o corpo do menino e deu vida a ele. Parvati exigiu que Ganesha fosse o primeiro a ser reverenciado em todos os rituais. Ganesha passou a ser filho também de Shiva e se tornou um Deus.

Significado de sua origem
Como todas as lendas encerram dentro de si um significado maior, vamos desdobrar a simbologia da história de Ganesha. Primeiro conta os Puranas que Ganesha tem um corpo físico “criado” por Parvati, símbolo da matéria perecível, ou seja que é humano. Mostra que ele não conhece o pai - Shiva, a realidade Suprema. Quando Parvati solicita sua proteção ele a obedece incondicionalmente (cuida a matéria, é apegado a ela). Quando seu pai chega, luta com ele (não quer perder a individualidade) não o reconhece, mas luta com bravura, quer cumprir o seu dever. O pai admira sua coragem, mas não podendo deixá-lo vencer, corta a sua cabeça (ego, mente, arrogância) e ele morre. Parvati zangada com a morte do filho mostra a matéria não querendo perder seu “nome e forma”. Shiva coloca uma nova cabeça no filho que renasce pelas mãos de Shiva, nasce do supremo. Parvati ficando contente com as promessas de Shiva de que seu filho será reverenciado no início de todos os rituais e cerimônias e, antes de qualquer empreendimento mostra que a perda da individualidade é o ganho do absoluto, da plenitude. O sábio vence todos os desafios, luta com bravura, remove todos os obstáculos e depois morre, perde a cabeça para ganhar uma nova dada por Shiva, o absoluto.

Simbologia
Ganesha tem uma enorme cabeça de elefante, imensa para um corpo de menino indicando sua capacidade intelectual e a firme dedicação ao estudo das escrituras. Ganesha é o Sábio. Ganesha tem na fronte o Vibhuti e um pequeno tridente indicando que é filho de Shiva - o Senhor da disciplina e da aniquilação da ignorância, indica também, que o sábio tem sempre em mente o Ser Supremo.

As enormes orelhas e a cabeça de elefante representam os dois primeiros passos para a auto realização - “Sravanam”, escutar o ensinamento e “Mananam”, refletir sobre ele. A tromba representa “Viveka”, a capacidade de discriminação entre Nitya, o eterno e ilimitado, e Anitya, o não eterno. O intelecto do homem comum está sempre preso entre os pares de opostos (as presas), o Sábio não é mais afetado por esses pares de opostos (frio-calor, prazer-dor, alegria-tristeza,etc) tendo atingido um estado de equanimidade , representado por uma das presas quebrada. O Sábio nunca esquece sua verdadeira natureza (memória de elefante).

A barriga enorme representa sua capacidade de engolir, digerir e assimilar todos os obstáculos, assim como o ensinamento escutado. O ratinho que fica aos seus pés simboliza o Ego e seus desejos com sua voracidade e cobiça, freqüentemente roubando mais do que pode comer e estocando mais do que pode lembrar. O Sábio tem o desejo sob total controle, por isso o ratinho olha para cima e aguarda sua permissão para comer os objetos dos sentidos. No dia de Ganesha é aconselhavel não olhar para a lua, pois conta os puranas que a lua riu de Ganesha voando pelo céu em seu veículo o ratinho(corpo). A lua representa o ignorante rindo do sábio. Esta imagem representa o Sábio tentando passar sua sabedoria infinita através de seus equipamentos finitos(corpo e mente).
Ganesha possui quatro braços que são utilizados na ação de destruir os obstáculos:

A mão superior direita carrega uma machadinha - Ishvara na forma de Ganesha (senhor dos obstáculos) decepa os apegos aos objetos como fonte de felicidade e a falsa identificação com o corpo , elimina os obstáculos para que possamos ter uma mente tranqüila e possibilitar o conhecimento.

A mão superior esquerda leva um laço e ou um lotus - Com o laço ele prende a atenção na verdade, na realidade suprema, ou seja no Eu absoluto. O Lotus é a natureza pura, absoluta e imaculada.

A mão inferior direita abençoa com Abhãya Mudrã - Estra mudrã abençoa com prosperidade e destemor. Freqüentemente encontramos um Japa-mala, mostrando que esta prosperidade está na forma de Japa (repetição de um mantra) a mais eficaz técnica de preparação da mente.

A mão inferior esquerda oferece Modaka - Modaka é um doce de leite e arroz tostado que representa a satisfação, a plenitude que se alcança com um caminho de disciplina e auto conhecimento.



Fonte:http://www.yogalotus.com.br

domingo, 27 de março de 2011



OS MOVIMENTOS DA TERRA
E AS DORES NO CORPOCanalizado por Maria Lúcia Brenélli
terça-feira, 15 de março de 2011



Você deve estar acompanhando as notícias... os fenômenos da Natureza se manifestando de maneira drástica... terremotos... tsunamis... enchentes ... e ... neste mesmo momento... tantas pessoas com queixas... físicas... emocionais... espirituais... insônias... dores pelo corpo... diarréias... dores na coluna... emotividade à flor da pele... que se acirraram nas últimas semanas...

SOBRE ESTE ASSUNTO: estou passando para vocês minha canalização desta manhã...



"Os terremotos estão ligados aos problemas de coluna ...
quem está sofrendo da coluna ... medite no eixo da Terra...

O Reino Mineral está ligado aos nossos ossos...
quem tem dores nos ossos deve meditar sintonizando as rochas, os minerais da Terra...

As erupções dos Vulcões estão ligadas aos refluxos gástricos...
quem tem tido refluxo medite nos Vulcões...

Os tsunamis estão ligados aos vômitos... tonturas...
quem está sentindo estes sintomas... medite no equilíbrio dos mares...

As enchentes estão ligadas às diarréias...
meditem nas fontes cristalinas de água pura... no suave correr dos rios...

As insônias estão ligadas ao movimento dos ventos...
os que tem tido noites intranquilas meditem no movimento nas brisas e das brumas tranquilas...

As dores no corpo estão ligadas às dores da própria Mãe Terra...
meditem nela... os que tiverem fibromialgia... dores... câimbras...

As acelerações cardíacas estão ligadas às Montanhas...
os que tem sentido taquicardia meditem com as Montanhas...

As alergias estão ligadas às Florestas...
quem tem tido a pele afetada... medite com as Florestas...

As depressões estão ligadas às dores da Mãe Natureza...
medite com Ela os que estão tristes e deprimidos...

Todos esses Seres da Natureza se apoiam, se intercambiam...

Quando algo muda, seja num movimento pacífico ou drástico, todo o Sistema participa das mudanças...

A Mãe Terra e a Mãe Natureza também estão sofrendo...

há de haver uma união estabelecida no Amor com a força Primordial e os seus filhos... os Filhos da Terra e do Céu...

Tudo que dói no corpo da Terra ou no Espírito da Terra... tudo que está intranquilo... tudo que está desordenado fora de nós ...

Assim está também no nosso corpo... na nossa mente... no nosso espírito...

Ao entrar em contato com o Ser que está ligado ao seu ajuste seja ele o Eixo da Terra, os Mares, as Fontes Cristalinas, os Rios, as Brisas, as Montanhas, as Florestas, a Mãe Terra, a Mãe Natureza... sinta que este SER tambem habita no seu interior ...

Visualize-o ... tanto dentro como fora de você ... em sua Perfeição ... em sua Paz ... Divinizado que é...

MEDITE...

ORE...

Não importa seu credo ou dogma...

desde que você emane LUZ... AMOR ...PAZ...

Entre em contato e honre o fenômeno da Natureza que está associado à sua desordem física , emocional ou espiritual no momento.

ATENTE:

1) Assegure-se que somente a PERFEIÇÃO, a Beleza, o Sagrado... façam parte de suas meditações.

Vizualize o Ser da Natureza que você está honrando em sua Perfeita Harmonia e Paz...
Sinta-se UM com este Ser.

2) Com esse propósito, acesse somente um SER na sua meditação...

ou seja ... o Ser da Natureza que está ligado ao seu desequilíbrio atual ...

3) Essas energias são extremamente Sagradas e de frequencias muito altas... ligadas diretamente às Ordens Divinas, portanto neste momento você só estará em contato com energias perfeitas...

4) Alicerce sua meditação com a presença de seu Eu Superior e Seu Anjo de Guarda... com Hierarquias elevadas... como os Arcanjos e os Iluminados...

Por exemplo:

SE você está sofrendo da coluna...

neste momento seu SER está conectado com as transformações no Eixo da Terra, você está em sintonia com a hierarquia que rege este movimento... então... se você medita e coloca, todo seu Amor e sua Luz à disposição do Eixo da Terra... você cura seu corpo e ao mesmo tempo facilita as mudanças que certamente continuarão a ocorrer em relação a Ele...

Você se coloca a serviço para a Cura Planetária... bem como para sua cura...

Você está em harmonia com toda a hierarquia que detém e rege o movimento e a manifestação do eixo da Terra...

LEMBRE-SE:

Para o Criador tudo que em nossa leitura pode parecer imperfeito, pertence ao ponto onde habitam nossas ilusões... Todos os movimentos catárticos ... de limpeza... são sagrados... não importa se violentos ou não...

A forma como eles se manifestam depende muito de nossa Vontade... nossos atos e nossas escolhas ... quer sejam conscientes ou não...

Os movimentos cósmicos que regem a Eterna Espiral permanecem Unos... dentro e fora da gente...

A cada dia mais e mais pessoas na grande massa despertam para esta realidade... pertencemos a um Sistema de energias Celestes e Terrenas... elas nos permeiam e conduzem...

TODOS, independente do grau de consciência... caminhamos sempre para uma vibração acima da que estamos... Pertencemos a um Sistema onde a Lei da Evolução dita as normas... Onde todos caminhamos para frequencias superiores... O tempo em que isso ocorre depende de nossa expansão de consciência...

Cada Ser ou Fenômeno da Natureza está ligado a qualquer manifestação do seu corpo..."


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Maria Lúcia Brenélli
Terapia Holística
"AMOR e LUZ..."
http://blogclarin.blogspot.com

Mensagem enviada por Vera Trombino







Postada por :
stelalecocq.blogspot.com/
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Namastê
Josi

quinta-feira, 17 de março de 2011

Super Lua dia 19/09/11


No próximo sábado (dia 19 de março de 2011) a lua estará numa órbita muito próxima da terra e pode aparecer até 30% maior e mais brilhante que o normal, será perceptível na hora dela subir no horizonte, no por do sol. Esse fenomeno é conhecido como Supermoon, super lua ou como Perigeu Lunar

A lua vai estar linda, romântica, puro feitiço, mas veja bem essa mesma LUA influencia as marés por ação gravitacional e os fenômenos climáticos, esse tamanho exagerado estimula as forças da natureza como terremotos, vulcões e maremotos.
A outra vez que ela passou próximo a terra foi dia 10/01/2005 dia do terremotos da Indonésia. Durante o Katrina também coincidiu com a supermoon, os anos de 1955, 1974 e 1992 também foram marcados por essa lua e desastres climáticos.
Essa matéria saiu no Yahoo, dia 09 de março, véspera do desastre no Japão, coincidência? Naquela data a a lua era crescente o Perigeu mesmo, ainda não aconteceu, será no dia 19 por isso, segundo essa teoria, o risco de outras tragédias ainda não acabou.
_PERIGEU,  QUE FENOMENO É ESSE? A Lua gira ao redor da Terra, sua órbita não é uma circunferência perfeita, é uma elipse, assim, enquanto gira ao redor da Terra, a Lua pode ficar mais perto ou distante do nosso planeta. O perigeu é o oposto do apogeu. O apogeu de um astro é o seu menor tamanho visível é quando ele está mais longe, quando o astro está no apogeu de sua órbita (ponto mais distante da Terra) está no seu menor tamanho visível para nós, quando ele está no perigeu é o seu maior tamanho para nós, a menor órbita e a mais perto da terra.

_DO LADO MÍSTICO – durante o Perigeu, as forças de Lilith (a energia feminina, sedutora, que vive no lado negro da Lua) estão mais amenas agora estará representada pela Anciã, reverenciada na cultura Celta que representa a sabedoria e o aprendizado.
_DATAS de Março • dia 19: Super Lua- Dia de São José (Saint German) • dia 20 às 20h e 21min oequinócio da mudança de estação para o outono (quando em todo planeta o dia e a noite tem o mesmo numero de horas) • dia 22Dia Mundial da Água criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1992.

Independente dos riscos, o Perigeu + troca de estação significa um momento de grandes transformações. Pense nisso, não crie resistências se vc tiver em fase de mudanças, se entregue e deixe a energia fluir!
Postado por Bia


Jesus Buscava Tanto Quanto Você



Por Osho

Jesus disse: 

Eu Sou a Luz que está sobre todos,
Eu Sou o Todo,
e o Todo vem de Mim,
e o Todo retorna a Mim.
Corte um pedaço de madeira
e Eu estarei lá;
levante uma pedra
e Me encontrará lá.

Jesus foi treinado numa das mais antigas escolas secretas.
Essa escola era chamada de Essênia.

O ensinamento dos essênios é puro Vedanta. É por isso que os cristãos não registram o que aconteceu a Jesus antes dos seus trinta anos. Têm um pequeno registro da sua infância e dos trinta aos trinta e três anos, quando foi crucificado.

Conhecem poucas coisas, mas um fenômeno como Jesus não é um acidente; é uma longa preparação, não pode acontecer de um momento para o outro.

Jesus foi continuamente preparado durante esses trinta anos. Primeiro, foi enviado ao Egito e, depois, veio para a Índia. No Egito, aprendeu uma das mais antigas tradições dos métodos secretos. Depois, na Índia, ficou conhecendo os ensinamentos de Buda, os Vedas, os Upanishads e passou por uma longa preparação.

Esses anos não são conhecidos, porque Jesus trabalhou nessas escolas como um discípulo desconhecido. Os cristãos abandonaram propositadamente esses registros, porque gostariam que o filho de Deus não tivesse sido discípulo de qualquer outra pessoa. Não gostam da ideia de Jesus ter sido preparado, ensinado, treinado – parece humilhante.

Acham que o filho de Deus veio absolutamente pronto.
Se alguém já está totalmente pronto, não pode vir.

Neste mundo, sempre entramos imperfeitos. A perfeição simplesmente desaparece neste mundo. A perfeição não é daqui, não pode ser – é contra a própria lei. Quando alguém se torna perfeito, toda sua vida entra numa dimensão vertical.
Isto deve ser compreendido: você progride num plano horizontal: de A para B, de B para C, de C para D, e assim por diante até Z; progride numa linha horizontal, do passado para o presente e do presente para o futuro.

Esse é o caminho da alma imperfeita, exatamente como a água fluindo num rio, das montanhas para as planícies e das planícies para o mar - numa linha horizontal, sempre mantendo seu próprio plano.

A perfeição move-se em linhas verticais, não horizontais. 

De A, ela não vai para B; de A vai para A1, e desse ponto vai para mais alto ainda. Para aqueles que vivem na linha horizontal, a perfeição simplesmente desaparece. Ela não existe, porque eles só podem olhar para o passado ou para o futuro. Podem olhar para trás, mas o homem perfeito não está lá; podem olhar para a frente, mas ele não está lá; podem olhar aqui, mas ele não está - porque uma nova linha de progressão começou.

O homem perfeito sobe cada vez mais alto, cada vez mais para cima.
Move-se na eternidade e não no tempo.

A eternidade é vertical; eis porque é um eterno agora - não existe nenhum futuro para ela. Se você se move numa linha, o futuro existe; se você se move de A para B, o B está no futuro; e quando o B se tornar presente, o A já estará no passado e o C no futuro.

Você está sempre entre o passado e o futuro; seu momento presente é só uma fase passageira: o B está se transformando em C, o C em D, o D em E; tudo está se movendo para o passado. Seu presente é apenas uma linha cortada, um pequeno fragmento. No momento em que você se conscientiza dele, ele já se moveu para o passado.

Uma alma perfeita move-se numa dimensão completamente diferente: de A para A1, para A2, para A3 - e isso é eternidade; é viver num eterno agora. Eis porque desaparece deste mundo.
Para entrar neste mundo, você tem de ser imperfeito.

Diz-se nas velhas escrituras que sempre que um homem se aproxima da perfeição - muitas vezes isso acontece - deixa alguma coisa imperfeita para poder voltar.

Conta-se que Ramakrishna era viciado em comida, era obcecado. Pensava o dia inteiro em comida. Conversava com seus discípulos e, sempre que tinha uma chance, corria até a cozinha para perguntar à sua mulher: "O que está preparando? Que novidade está fazendo para hoje?"Muitas vezes até sua mulher se sentia embaraçada e dizia:"Paramahansa Deva, isto não fica bem para você." E ele ria.

Um dia, sua esposa insistiu, dizendo: "Até seus discípulos se riem disso e falam: 'Que espécie de homem liberto é Paramahansa?'".

Ele era tão obcecado por comida que sempre que Sharada, sua mulher, lhe trazia a refeição, imediatamente dava uma olhada na thali para ver o que ela estava trazendo. Esquecia tudo sobre Vedanta, sobre Brahma, e às vezes era muito embaraçoso, porque havia pessoas presentes e elas achavam um absurdo um homem liberto ser preso à comida.

Um dia, sua esposa insistiu:"Por que você faz isso? Deve haver alguma razão."
Ramakrishna disse: "No dia em que eu não o fizer, você poderá contar mais três dias para eu estar vivo aqui. Quando eu parar, este será o sinal de que só estarei aqui por mais três dias."
Sua esposa riu, seus discípulos também riram e disseram: "Isso não explica nada!"

Eles não conseguiram acompanhar o significado do que foi dito.
Mas aconteceu exatamente assim.

Um dia, sua esposa chegou com a comida e ele estava repousando em sua cama. Ele virou-se de lado - geralmente pulava da cama para olhar. Sua esposa lembrou-se do que ele havia dito: que viveria apenas mais três dias quando se mostrasse indiferente à comida. Ela não conseguiu segurar a thali; a thali caiu e ela começou a chorar.

Ramakrishna disse: "Mas todos vocês queriam que isso acontecesse. Agora, não se preocupem. Estarei aqui por mais três dias."

No terceiro dia, ele morreu.

Antes de morrer, disse que estava preso à comida só para continuar ligado a alguma coisa imperfeita e poder estar com os discípulos, servindo-os.
Muitos Mestres fazem isso. No momento em que sentem que estão se tornando completamente perfeitos, prendem-se a alguma imperfeição só para continuar aqui. Caso contrário, esta margem não é mais para eles. Se todas as amarras são rompidas, seus botes rumam para a outra margem, não podem permanecer aqui.
Assim, eles mantêm alguma amarra, mantêm algum relacionamento, encontram alguma fraqueza em si mesmos e não permitem que ela desapareça. Desse modo, o círculo não é completado, uma lacuna permanece. Através dessa lacuna, eles continuam aqui.
É por isso que os hindus, os budistas e os jainistas, por terem conhecido muitos mestres, sabem que a perfeição não é deste mundo. No momento em que o círculo se completa, desaparece dos seus olhos. Você não pode ver, não está na sua linha de visão, está além - lá você não consegue penetrar.

Mas para dizer que Jesus já era perfeito quando nasceu, para enfatizar este fato, os cristãos tiveram de deixar de lado todos os registros. Jesus buscava tanto quanto você, era uma semente de mostarda como você. Tornou-se uma árvore, uma grande árvore, e milhares de pássaros do Céu se abrigam nele - mas também foi uma semente de mostarda.

Lembre-se que Mahavira, Buda e Krishna também nasceram imperfeitos, porque o nascimento pertence à imperfeição. Não há nascimento para o que é perfeito; quando alguém é perfeito, não existe transmigração.


Osho, em "A Semente de Mostarda"http://www.palavrasdeosho.com/

quarta-feira, 16 de março de 2011

A Compreensão Espiritual è o Significado do Desenvolvimento




Já esta mais do que na hora da humanidade descobrir o lado espiritual do seu ser e dar uma boa olhada nos valores que criamos em nossas sociedades.

Medo e amor vão de certa forma de mãos dadas junto com nossa compreensão e consciência.

Nossa sociedade está negando o amor, porque se alimenta de medo.
Medo de ser rejeitado, abandonado ou punido e assim por diante.

Quando finalmente aprendemos a nos amar e a respeitar a raça humana como uma família, nos tornamos eficazes, com poder para começar a reconstrução de nossas vidas como uma raça indivisível dos seres humanos.

Muitos perderam a conexão com seus sentimentos de amor em sua procura por poder e controle.

Basicamente, eles precisam de ajuda para restaurar os sentimentos de amor que perderam.

Todos nós humanos em evolução, somos filhos de um só Deus que é Luz. E Luz é conhecimento.

A razão pela qual tantas pessoas estão adormecidas e sem saber quem são, é por causa da programação de seu tipo particular de religião. Há centenas de religiões e sistemas de crenças, todos cheios de regras e ameaças para o caso você não cumprir com essas regras inventadas. 

Claro que isso cria muito medo e incerteza, que é claramente refletida em nossas sociedades.

Uma escolha deve ser feita - juntar-se aos religiosos e, portanto ficar com medo, ou unir-se ao espiritual e simplesmente ser livre e amoroso.

Espiritualidade é sobre amor e aqueles que estão em contato com esta energia amorosa que orienta a partir de dentro, mostram como exemplo o que essa verdade, tão ignorada, é de fato.

Esses são os filhos da Luz despertando
Eles não precisam de regras, porque estão ligados ao poder do amor em seus corações. Eles não podem ferir ninguém, eles são honestos para amar e questionar tudo.

O motivo pelo qual a espiritualidade é pouco compreendida é porque a religião exige obediência às suas regras sem questionar.

Aqueles que estão em contato com seu coração e com seu espírito questionam tudo. 

Todo relacionamento que temos é um relacionamento com o divino, isto é, quando você sabe que somos iguais. Conhecimento é útil para reconhecer a verdade.

Quando finalmente nos fundimos com a parte espiritual de nosso ser, nos conectamos com essa energia amorosa que penetra o corpo, as emoções e a mente, causando uma sensação de paz, um estado divino de êxtase.

Isso pode ser experimentado em uma relação com outro ser igual, ou através da meditação, ou numa caminhada na mãe natureza.

A experiência de sentir-se unido com todos, é a sua conectividade com a inteligência mais elevada. Depois disso, tudo fica claro. Isto é desenvolvimento espiritual.

As mudanças feitas na atitude atrairão, como conseqüência, experiências superiores. É ciência.

As oportunidades para amar aparecem no seu caminho o tempo todo, pois o amor é a porta para a consciência superior.

Portanto, é recomendável não mais sentir medo do desconhecido, mas amar sobre tudo. As lições de vida e amor são muitas e, geralmente, confusas devido às diferenças religiosas, fica difícil ver o quadro inteiro de uma só vez.

Mas quando você aprende a confiar em si mesmo, uma orientação sutil dos níveis superiores do seu ser, através dos sentimentos, vai orientá-lo.

As energias aquarianas irão nos estimular para interiorização e a equilibrar as emoções, a separação entre mente e sentimentos, masculino e feminino e mente consciente e subconsciente.

Criar harmonia é exatamente isso, curar todas as partes negadas do seu ser.
Isso só é possível quando o amor está presente em todos os doze aspectos da consciência.


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Robert Happé 

Autor do livro "Consciência é a resposta" 

Fundador do Centro de Educação Espiritualwww.roberthappe.net 



Mensagem Postada por Stela
http://stelalecocq.blogspot.com/


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sábado, 12 de março de 2011

Minha atualidade inalcançável é o meu paraíso perdido/ Clarice Lispector






(...)Eu caíra na tentação de ver, na tentação de saber e de sentir. Minha grandeza, à procura da grandeza do Deus, levara-me à grandeza do inferno. Eu não conseguia entender a Sua organização senão através do espasmo de uma exultação demoníaca. A curiosidade me expulsara do aconchego - e eu encontrava o Deus indiferente que é todo bom por que não é ruim nem bom, eu estava no seio de uma matéria que é a explosão indiferente de si mesma. A vida estava tendo a força de uma indiferença titânica. Uma titânica indiferença que está interessada em caminhar. E eu, que quisera caminhar com ela, ficara enganchada pelo prazer que me tornava apenas infernal.
A tentação do prazer. A tentação é comer direto na fonte. A tentação é comer direto na lei. E o castigo é não querer mais parar de comer, e comer-se a si próprio que sou matéria igualmente comível. E eu procurava a danação como uma alegria. Eu procurava o mais orgíaco de mim mesma. Eu nunca mais repousaria: eu havia roubado o cavalo de caçada de um rei da alegria. Eu era agora pior do que eu mesma Nunca mais repousarei: roubei o cavalo de caçada do rei do sabath. Se adormeço um instante, o eco de um relincho me desperta. E é inútil não ir. No escuro da noite o resfolegar me arrepia. Finjo que durmo mas no silêncio o ginete respira. Não diz nada mas respira, espera e respira. Todos os dias será a mesma coisa: já ao entardecer começo a ficar melancólica e pensativa. Sei que o primeiro tambor na montanha fará a noite, sei que o terceiro já me terá envolvido na sua trovoada.(...)
(...)Neste instante, agora, uma dúvida me surpreende. Deus, ou o que És chamado: eu só peço agora uma ajuda: mas que agora me ajudes não obscuramente como me és, mas desta vez claramente e em campo aberto.
Pois preciso saber exatamente isto: estou sentindo o que estou sentindo, ou estou sentindo o que eu queria sentir? ou estou sentindo o que precisaria sentir?
Porque não quero mais sequer a concretização de um ideal, quero é ser apenas uma semente. Mesmo que depois, dessa semente, nasçam de novo os ideais, ou os verdadeiros, que são um nascimento de caminho, ou os falsos, que são os acréscimos. Estaria eu sentindo o que desejaria sentir? Pois a diferença de um milímetro é enorme, e este espaço de um milímetro pode me salvar pela verdade ou de novo me fazer perder tudo o que vi. É perigoso. Os homens elogiam muito o que sentem. O que é tão perigoso como execrar o que se sente.
Eu oferecera meu inferno ao Deus. E minha crueldade, meu amor, minha crueldade parara de súbito. E de súbito aquele mesmo deserto era o esboço ainda vago do que se chamou de paraíso. A umidade de um paraíso. Não outra coisa, mas aquele mesmo deserto. E eu estava surpreendida como se é surpreendido por uma luz que vem do nada.
Entendia eu que aquilo que eu experimentara, aquele núcleo de rapacidade infernal, era o que se chama de amor? Mas - amor- neutro?
Amor neutro. O neutro soprava. Eu estava atingindo o que havia procurado a vida toda: aquilo que é a identidade mais última e que eu havia chamado de inexpressivo. Fora isso o que sempre estivera nos meus olhos no retrato: uma alegria inexpressiva, um prazer que não sabe que é prazer - um prazer delicado demais para a minha grossa humanidade que sempre fora feita de conceitos grossos.(...)
(...)- Escuta. Eu estava habituada somente a transcender. Esperança para mim era adiamento. Eu nunca havia deixado minha alma livre, e me havia organizado depressa em pessoa porque é arriscado demais perder-se a forma. Mas vejo agora o que na verdade me acontecia: eu tinha tão pouca fé que havia inventado apenas o futuro, eu acreditava tão pouco no que existe que adiava a atualidade para uma promessa e para um futuro.
Mas descubro que não é sequer necessário ter esperança. É muito mais grave. Ah, sei que estou de novo mexendo no perigoso e que deveria calar-me para mim mesma. Não se deve dizer que a esperança não é necessária, pois isto poderia vir a se transformar, já que sou fraca, em arma destruidora. E para ti mesmo, em arma utilitária de destruição.
Eu poderia não entender e tu poderias não entender que prescindir da esperança - na verdade significa ação, e hoje. Não, não é destruidor, espera, deixa eu nos entender. Trata-se de assunto proibido não porque é ruim mas porque nós nos arriscamos.
Sei que se eu abandonar o que foi uma vida toda organizada pela esperança, sei que abandonar tudo isso - em prol dessa coisa mais ampla que é estar vivo - abandonar tudo isso dói como separar-se de um filho ainda não nascido. A esperança é um filho ainda não nascido, só prometido, e isso machuca.
Mas sei que ao mesmo tempo quero e não quero mais me conter. É como na agonia da morte: alguma coisa na morte quer se libertar e tem ao mesmo tempo medo de largar a segurança do corpo. Sei que é perigoso falar na falta de esperança, mas ouve - está havendo em mim uma alquimia profunda, e foi no fogo do inferno que ela se forjou. E isso me dá o direito maior: o de errar.
Escuta sem susto e sem sofrimento: o neutro do Deus é tão grande e vital que eu, não agüentando a célula do Deus, eu a tinha humanizado. Sei que é horrivelmente perigoso descobrir agora que  
o Deus tem a força do impessoal - porque sei, oh eu sei! que é
como se isso significasse a destruição do pedido!
E é como se o futuro parasse de vir a existir. E nós não
podemos, nós somos carentes.
Mas ouve um instante: não estou falando do futuro, estou falando de uma atualidade permanente. E isto quer dizer que a esperança não existe porque ela não é mais um futuro adiado, é hoje. Porque o Deus não promete. Ele é muito maior que isso: Ele é, e nunca pára de ser. Somos nós que não agüentamos esta luz sempre atual, e então a prometemos para depois, somente para não senti-la hoje mesmo e já. O presente é a face hoje do Deus. O horror é que sabemos que é em vida mesmo que vemos Deus. É com os olhos abertos mesmo que vemos Deus. E se adio a face da realidade para depois de minha morte - é por astúcia, porque prefiro estar morta na hora de vê-Lo e assim penso que não O verei realmente, assim como só tenho coragem de verdadeiramente sonhar quando estou dormindo.
Sei que o que estou sentindo é grave e pode me destruir. Porque - porque é como se eu estivesse me dando a notícia de que o reino dos céus já é.
E eu não quero o reino dos céus, eu não o quero, só agüento a sua promessa! A notícia que estou recebendo de mim mesma me soa cataclísmica, e de novo perto do demoníaco. Mas é só por medo. É medo. Pois prescindir da esperança significa que eu tenho que passar a viver, e não apenas a me prometer a vida. E este é o maior susto que eu posso ter. Antes eu esperava. Mas o Deus é hoje: seu reino já começou.
E seu reino, meu amor, também é deste mundo. Eu não tinha coragem de deixar de ser uma promessa, e eu me prometia, assim como um adulto que não tem coragem de ver que já é adulto e continua a se prometer a maturidade.
E eis que eu estava sabendo que a promessa divina de vida já está se cumprindo, e que sempre se cumpriu. Anteriormente, só de vez em quando, eu era lembrada, numa visão instantânea e logo afastada, de que a promessa não é somente para o futuro, é ontem e é permanentemente hoje: mas isso me era chocante. Eu preferia continuar pedindo, sem ter a coragem de já ter. 
                      E eu tenho. Eu sempre terei. É só precisar, que eu tenho. Precisar não acaba nunca pois precisar é a inerência de meu neutro. Aquilo que eu fizer do pedido e da carência esta será a vida que terei feito de minha vida. Não se colocar em face da esperança não é a destruição do pedido! e não é abster-se da carência. Ah, é aumentá-la, é aumentar infinitamente o pedido que nasce da carência.
Não é para nós que o leite da vaca brota, mas nós o bebemos. A flor não foi feita para ser olhada por nós nem para que sintamos o seu cheiro, e nós a olhamos e cheiramos. A Via-Láctea não existe para que saibamos da existência dela, mas nós sabemos. E nós sabemos Deus. E o que precisamos Dele, extraímos. (Não sei o que chamo de Deus, mas assim pode ser chamado.) Se só sabemos muito pouco de Deus, é porque precisamos pouco: só temos Dele o que fatalmente nos basta, só temos de Deus o que cabe em nós. (A nostalgia não é do Deus que nos falta, é a nostalgia de nós mesmos que não somos bastante; sentimos falta de nossa grandeza impossível - minha atualidade inalcançável é o meu paraíso perdido.)
Sofremos por ter tão pouca fome, embora nossa pequena fome já dê para sentirmos uma profunda falta do prazer que teríamos se fôssemos de fome maior. O leite a gente só bebe o quanto basta ao corpo, e da flor só vemos até onde vão os olhos e a sua saciedade rasa. Quanto mais precisarmos, mais Deus existe. Quanto mais pudermos, mais Deus teremos.
Ele deixa. (Ele não nasceu para nós, nem nós nascemos para Ele, nós e Ele somos ao mesmo tempo.) Ele está ininterruptamente ocupado em ser, assim como todas as coisas estão sendo, mas Ele não impede que a gente se junte a Ele e, com Ele, fique ocupado em ser, numa intertroca tão fluida e constante - como a de viver. Ele, por exemplo, Ele nos usa totalmente porque não há nada em cada um de nós de que Ele, cuja necessidade é absolutamente infinita, não precise. Ele nos usa, e não impede que a gente faça uso Dele. O minério que está na terra não é responsável por não ser usado.(...)
(...)E Ele não só deixa, como necessita ser usado, ser usado é um modo de ser compreendido. (Em todas as religiões Deus exige ser amado.) Para termos, falta-nos apenas precisar. Precisar é sempre o momento supremo. Assim como a mais arriscada alegria entre um homem e uma mulher vem quando a grandeza de precisar é tanta que se sente em agonia e espanto: sem ti eu não poderia viver. A revelação do amor é uma revelação de carência - bem- aventurados os pobres de espírito porque deles é o dilacerante reino da vida.
Se abandono a esperança, estou celebrando a minha carência, e esta é a maior gravidade do viver. E, porque assumi a minha falta, então a vida está à mão. Muitos foram os que abandonaram tudo o que tinham, e foram em busca da fome maior.
Ah perdi a timidez: Deus já é. Nós já fomos anunciados, e foi a minha própria vida errada quem me anunciou para a certa. A beatitude é o prazer contínuo da coisa, o processo da coisa é feito de prazer e de contato com aquilo de que se precisa gradualmente mais. Toda a minha luta fraudulenta vinha de eu não querer assumir a promessa que se cumpre: eu não queria a realidade.
Pois ser real é assumir a própria promessa: assumir a própria inocência e retomar o gosto do qual nunca se teve consciência: o gosto do vivo.(...)
(...)- Agüenta eu te dizer que Deus não é bonito. E isto porque Ele não é nem um resultado nem uma conclusão, e tudo o que a gente acha bonito é às vezes apenas porque já está concluído. Mas o que hoje é feio será daqui a séculos visto como beleza, porque terá completado um de seus movimentos.
Eu não quero mais o movimento completado que na verdade nunca se completa, e nós é que por desejo completamos; não quero mais usufruir da facilidade de gostar de uma coisa só porque, estando ela aparentemente completada, não me assusta mais, e então é falsamente minha - eu, devoradora que era das belezas.
Não quero a beleza, quero a identidade. A beleza seria um acréscimo, e agora vou ter que dispensá-la. O mundo não tem intenção de beleza, e isto antes me teria chocado: no mundo não existe nenhum plano estético, nem mesmo o plano estético da bondade, e isto antes me chocaria. A coisa é muito mais que isto. O Deus é maior que a bondade com a sua beleza.(...)
(...)- Dói em ti que a bondade do Deus seja neutramente contínua e continuamente neutra? Mas o que eu antes queria como milagre, o que eu chamava de milagre, era na verdade um desejo de descontinuidade e de interrupção, o desejo de uma anomalia: eu chamava de milagre exatamente o momento em que o verdadeiro milagre contínuo do processo se interrompia. Mas a bondade neutra do Deus é ainda mais apelável do que se não fosse neutra: é só ir e ter, é só pedir e ter.
E também o milagre se pede, e se tem, pois a continuidade tem interstícios que não a descontinuam, o milagre é a nota que fica entre duas notas de música, é o número que fica entre o número um e o número dois. É só precisar e ter. A fé - é saber que se pode ir e comer o milagre. A fome, esta é que é em si mesma a fé - e ter necessidade é a minha garantia de que sempre me será dado. A necessidade é o meu guia.(...)
(...)Ah, meu amor, não tenhas medo da carência: ela é o nosso destino maior. O amor é tão mais fatal do que eu havia pensado, o amor é tão inerente quanto a própria carência, e nós somos garantidos por uma necessidade que se renovará continuamente. O amor já está, está sempre. Falta apenas o golpe da graça - que se chama paixão.(...)
(...)Estar vivo é uma grossa indiferença irradiante. Estar vivo é inatingível pela mais fina sensibilidade. Estar vivo é inumano - a meditação mais profunda é aquela tão vazia que um sorriso se exala como de uma matéria. E ainda mais delicada serei, e como estado mais permanente. Estou falando da morte? estou falando de depois da morte? Não sei. Sinto que “não humano” é uma grande realidade, e que isso não significa “desumano”, pelo contrário: o não humano é o centro irradiante de um amor neutro em ondas hertzianas.(...)
(...)Só que ainda preciso tomar cuidado para não fazer disto mais do que isto, pois senão já não será mais isto. A essência é de uma insipidez pungente. Será preciso “purificar-me” muito mais para inclusive não querer o acréscimo dos acontecimentos. Antigamente purificar-me significaria uma crueldade contra o que eu chamava de beleza, e contra o que eu chamava de “eu”, sem saber que “eu” era um acréscimo de mim.
Mas agora, através de meu mais difícil espanto - estou enfim caminhando em direção ao caminho inverso. Caminho em direção à destruição do que construí, caminho para a despersonalização.(...)
  
Trexos extraidos do livro A Paixão Segundo G.H 

 http://www.scribd.com/doc/8774873/A-paixao-Segundo-GH-Clarice-Lispector